terça-feira, 7 de dezembro de 2021

 Um pouco tarde mas estou de regresso.

Algumas histórias para contar.

- Férias em Bissau em Março  deste ano foram um pesadelo...

- Continuei a detectar a fragilidade das Instituições guineenses em todas as áreas em que me dirigi....

- ...continuo á espera de receber alguma notificação do Tribunal de Bissorã, onde meti queixa do roubo do meu terreno em Mansoa feito pelos militares, com ordens dos superiores de topo e com a "anuance" do governo... (motivo do "roubo"? Construir um heli-porto junto ao complexo desportivo, na estrada Mansoa/Bissorã.

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

A GUINÉ-BISSAU SER UM PROTECTORADO DA ONU

Tanto tenho ouvido, lido e conversado sobre o que todos os ex-Presidentes da Republica, todos os governos,  e todos os Deputados na ANP, todos os Procuradores Gerais da Republica, fizeram, para encaminhar, "endireitar" a Nação, depois da guerra (1997 a 1999) civil travada entre irmãos de sangue, e de etnia, a conclusão que EU chego, é que todos eles nada fizeram.

O "Mal" é visível:
  • mortes/assassinatos violentos...sem que ninguém seja levado a julgamento e condenado;
  • roubos/desvios e manipulações de dinheiros do Estado (todos nós)...ninguém foi julgado e condenado;
  • colocações de familiares e amigos no aparelho de Estado... ninguém ainda foi investigado e levado a tribunal;
  • fazer negócios em nome do Estado, recebendo charudas comissões...ninguém foi ainda investigado e levado a tribunal
  • desleixo, irresponsabilidade, bazófia, intriguismo é o dia a dia do "Estado" na sua forma de decapitar os dinheiros do Povo.
A visibilidades dos factores atrás descritos foi mais acentuada a partir do ano 2000.
Ouve a esperança do filosofo Kumba Yála.....poder fazer com que a Guiné Bissau, fosse a Suíça de África. 
Depressa essa esperança morreu e se enterrou.

Dever-se-ía ter aproveitado essa ocasião (a ANP principalmente), para ter solicitado à ONU a protecção do País (invasão e actos de guerra contra o Povo guineense em solo guineense por parte de forças militares de países estrangeiros).
Não importa a razão porque o não fizeram. Deveriam tê-lo feito, não o fizeram.

O Povo está a pagar as maldades, as diabruras, as irresponsabilidades, as incompetências, a falta de ética e brio dos políticos da praça de Bissau.

2015...
Parece-me ter escutado e lido algures que a ONU, equaciona a possibilidade de "meter" mão (corrigir) a insegurança e instabilidade reinante na Guiné-Bissau!!!!!!!!!

Será verdade? Se sim, benditos sejam os Anjos e Arcanjos, os Santos, O Diabo, o Demo....


…Não quero que meu pensamento seja interpretado em termos religiosos.
Mas invocarei as Santidades abaixo, só no sentido de querer, de querença, de fé, para que realmente seja verdade e a ONU Proteja a Guiné-Bissau.

Graças a Deus, graças a Alá, graças a Buda e graças a todos os outros Símbolos que nos levam a sustentar a esperança…

Que se realmente for verdade que a ONU, vai enviar um contingente militar (atenção não é para invadir em termos de guerra, mas sim estabilizar o “frenesim” dos nossos “guerreiros”) para a Guiné-Bissau … podem crer que será o começo da CONSTRUÇÃO do PARAÍSO cá na Terra.

Será Graças a Deus… se a ONU realmente fizer isso, será o começo do PROTECTORADO que EU (e muitos guineenses ambicionamos) sempre quis, sempre falei e sempre me disseram (depreciativamente) que Eu era um “tuga” com ideias colonialistas, logo deveria estar calado.
Mas essa solução é a única que Eu vejo para reconstruir o País, Guiné-Bissau.

Será Graças a Alá… se a ONU realmente decidir pelo Protectorado, isso vai acabar em definitivo com o “armazém” da droga, feito nas ilhas e em outras zonas do País, e serem levados à Justiça todos os intervenientes neste assunto, mesmo gente responsável de outros países da CEDEAO.

Será Graças a Buda… se a ONU intervir na Guiné-Bissau, também irá acabar com o “santuário” logístico de Organizações criminosas e terroristas que se encontram em Bissau e sendo por todos  conhecidos, serão levados à Justiça .

E será Graças a todos os outros Símbolos de crença espalhados pelo mundo…que se a ONU vai realmente começar a Proteger o seu FILHO mais pequeno e sacrificado (Guiné-Bissau), então como “PAI” a ONU terá que se responsabilizar, por um período mínimo de 10 anos.

Filho da Guiné
António Beiramar


segunda-feira, 9 de novembro de 2015

RETRATO DE UMA VIDA (PESSOA) DA GUINÉ-BISSAU

RETRATO DE UMA VIDA DA GUINÉ-BISSAU

Impressionante como relata a vida de milhares, centenas de milhares de guineenses a viver no “tchom sabi”, mas a realidade é o abismo, a antecâmara antes da morte.
Não posso deixar de reagir, partilhar e comentar este texto

Eu, no passado recente já fiz e vou continuar a fazer e a dar meu contributo real e no terreno e que qualquer coisa possa mudar… para que gentes como Tia Npot (assim se chamava a senhora) possam ter no futuro uma vida mais sã, melhor, Condigna. Se possível meu contributo será potencializado nas autárquicas quando os políticos assim o entenderem marcar as eleições.
Leiam sem pressa e revejam-se na panorâmica da vida quotidiana guineense.
Transcrevo texto que vi, li, reli e tornei a reler...

 “Bravura da bideira -Tia Npot
À luz da sua vela, a tia Npot vai iluminando a sua vida e a das famílias à sua volta. Vende carvão durante o dia. À noite faz cuscuz e vende mancara à beira da estrada, no chamado beco. É a mãe que não tem filhos e que já não os pode ter. A idade pesa-lhe nas coxas. Tia Npot é surda, mas todos os dias ouve a necessidade e a luta pela sobrevivência a bater-lhe à porta.
Atrás da sua porta, que não é porta, vive no limiar da pobreza extrema. Mas do Estado não espera qualquer apoio que possa melhorar, nem que fosse um pouco, a sua vida.
Tal como a maioria das mulheres guineenses batalhadoras, a tia Npot sentiu na pele a ausência do Estado. Nunca recebeu apoio social. Nunca sentiu uma preocupação, um querer saber, um carinho por parte da sua pátria.
Dorme nos recantos mais escuros numa casa coberta de palha, sem luz, sem água canalizada e em precárias condições físicas no bairro de Cuntum-Madina, em Bissau.
A sua sala não tem televisão moderna. Mas tem utilidade. Serve para armazenar o sustento. Os sacos de carvão. E serve de dormitório para patos e galinhas, seus companheiros.
No quarto, tia Npot tem panelas, bindi di cuscus e um colchão feito de palha. Uma relva sem alma colocada num cantinho no chão. Um quarto escuro, sem janela nem porta, que cheira a humidade.
É uma espécie de terra batida - só areia por dentro. Mesmo assim, quando entra, tia Npot deixa os chinelos à entrada da porta principal.
A cobertura da casa, por ser velha, deixa entrar a chuva. Tigelas e baldes servem de remendo ao que não tem conserto. Já perdeu a conta às noites que passou em branco por chover intensamente e sem parar. Não sabe onde colocar o colchão. Está tudo molhado, parece que em casa é pior que na rua.
Npot acorda às cinco da manhã para preparar o seu longo dia. Vai dormir à uma de madrugada. É a rotina normal de uma mulher que não conhece descanso aos domingos.
A fome não descansa e nunca dorme. Enquanto há quem espere pelo final do mês para receber o salário - algo que nunca experimentou -, Npot odeia o fim do mês. A sua renda de casa custa 8 mil francos. Nunca se interessou por pedir recibo de pagamento, já que nem ler sabe. Conhece apenas os números para contar os rendimentos e calcular a soma para pagar ao senhorio a renda mensal.
Muitas vezes, eu no meu carro e ela caminhando, cruzamos os nossos caminhos à entrada da mesma rua.
Vejo-a sempre a carregar à cabeça.
Leva mais de cinco quilos, deduzo.
Fogareiro, bindi e tudo o que lhe permita ganhar algum dinheiro por dia - às vezes quinhentos francos.
Dinheiro que guarda cuidadosamente na ponta de panos, num nó que faz propositadamente.
Mesmo com a testa sofrida, a roupa a pingar de calor e os chinelos que se remendam a toda hora, tira sempre um tempinho para saudar e cumprimentar as pessoas.
Nunca aceitou a minha boleia, quando lhe digo: "Tia no bai pan n´lebau, sol noti".
Reage sempre da mesma forma. "Nha fidju ntchiga dja, bai diritu".
E lá vai ela, num andar rápido. Talvez porque começa o dia sempre em desvantagem, correndo contra o relógio e contra o prejuízo que já é certo.
Amanhã nunca se sabe. Uma pasta dentífrica é um luxo? Ou sobra carvão para esfregar os dentes ao nascer do sol? E o país? Como estará amanhã? Negro de novo? Ou há esperança numa nação de todos e para todos?
Por várias vezes, do seu pequeno lucro tira uns 200 francos para oferecer aos jovens que andam de peditório em peditório para a sua equipa de futebol ou para comprar warga nas bancadas de Djumbai.
Da política, a tia Npot só conhece o PAIGC de Nino Vieira e o PRS de Kumba Yala, antigos presentes dos respetivos partidos e ex-chefes de Estado guineenses.
Ao contrário dos políticos, serve-se de si mesma para ter uma vida digna e honesta.
Votou uma única vez na vida, nas eleições de 1994, as primeiras eleições livres na história da democracia do país.
Ainda tem o seu cartão de eleitor novinho, pensando que fosse um único documento que o Estado se dignou legar a alguém.     
Ela é umas das milhares de guineenses invisíveis aos olhos do Estado. É uma indefinição.
Devido à patrulha que as forças de segurança fazem nos bairros à noite para tentar travar os assaltos à mão armada, Npot foi à minha casa ao final de mais um dia de trabalho.
"Filho, assisti a uma correria e gritaria na feira esta noite. Por que é que os militares estão a pedir documentos?", perguntou, com um balde na cabeça cheio de balas, da sua armada de luta contra a fome.
Mas ela tem. É o cartão de eleitor de 1994. Ainda tem validade? Ou melhor, será que um dia valerá alguma coisa?
Npot não sabe se chegou a ter bilhete de identidade. Não se lembra. Ou seja, Npot vive à margem do Estado e é invisível para o Governo.
Um dia disse-me: "Filho, ajuda-nos por favor... já estamos cansados dessa situação. Dizem que tu trabalhas na rádio. Então, diga-lhes (aos governantes) que estamos a sofrer e não temos nada nem para comer. Que façam algo por nós (povo)". Nem sequer ouviu a minha resposta: foi-se de imediato.
Quando está doente, diz-se que faz cura tradicional apostando nos remédios de terra com folhas de árvores, raízes, pedaços de troncos de madeiras, entre outros, que muitos acreditam serem eficazes para combater doenças sem tomar comprimidos. No caso da tia Npot, ela não vai ao hospital do Estado porque não tem dinheiro. Se nem cem francos tem para pagar toca-toca, onde terá dinheiro para pagar a entrada no hospital, comprar luvas, seringas, soro, medicamentos e mais e mais e mais? Por isso, prefere ficar em casa e tentar a sorte com o que tem.
Não conhece Eneida Marta, Karyna Gomes ou Ammy Indjai, mas sabe de cor as músicas de Dulce Neves no histórico grupo musical Super Mama Djombo. Não tem tempo para ouvir noticiários. Não conhece nenhum ministro. Aliás, ainda não sabia que há carros com ar condicionado. Foi uma admiração grande e surpreendente ver e sentir um carro a "refrescar-se".
Ela não é de muita conversa, até porque não funcionam bem os ouvidos de uma mulher que se conforma com o que tem e luta dia e noite para andar de cabeça erguida na nossa sociedade. No dia de Natal sempre vende mais na rua, sobretudo na noite da ceia: está-se sempre a recarregar munições para a dura batalha do dia 25 de Dezembro. Um bom dia para elevar o lucro do dia-a-dia.
Na sexta-feira passada, por volta das 00:30, a tia Npot deu-me os primeiros sinais de desespero com a sua vida de sacrifício em sacrifício. Sem sossego.
Nesse dia, cruzámo-nos mais tarde do que habitual, eu a pé e ela de rastos, muito embriagada. Era evidente que o efeito do álcool tomou de assalto a força que a movia todos os dias. Soltei lágrimas sem ela se dar conta. Passados dois dias, comunicaram-se a sua morte. Foi encontrada sem vida na sua casa, deitada ao pé do seu saco de carvão. Entrei em choque. Ninguém conhece a sua família. A tia Npot, que aparentava 65 anos, sempre viveu sozinha. Nunca ficou a dever a renda de casa onde morava, nem à Câmara Municipal de Bissau pelo espaço que ocupava no mercado. O corpo foi levado para a sua aldeia natal no interior do país, graças ao dinheiro das suas poupanças encontrado na sua mala de madeira.
Que tenha um cantinho para descansar em paz nos céus.
Mais de metade das mulheres guineenses vive em situação de pobreza extrema, ainda que lutem diariamente para garantir o sustento da família em casa.
A questão que se coloca é: será que vamos aceitar uma economia em que apenas alguns se dão espectacularmente bem? A ideia partilhada pelo meu pai (um verdadeiro combatente da liberdade da pátria) é que este país será melhor quando todos tiverem as mesmas oportunidades, todos tiverem a sua fatia justa, todos seguirem as mesmas regras. Razão pela qual deu toda a sua juventude para a libertação dos povos nas mãos do jugo colonial para que este país fosse um santo lugar para os seus filhos desfrutarem das riquezas desta fatia de terra. Nasci, cresci e assisti o meu pai a morrer por não aguentava mais os reflexos das torturas a que foram submetidos nas prisões de Tarafal e Djiu di Galinha. Aceitou se sacrificar, tal como muitos combatentes, para que possamos levar em avante a difícil tarefa de construir uma nação próspera que sirva todos os seus filhos. Não só burgueses, elites, ou apenas uma geração.

Nós, o povo, entendemos que o nosso país não pode ter êxito quando uns poucos estão muito bem e um número cada vez maior não está. Acreditamos que a prosperidade da Guiné-Bissau deve repousar sobre os ombros largos de uma crescente classe mais desfavorecida e vulnerável.

À tia Npot nunca foi dada a oportunidade de provar o sabor da propriedade do seu país ou mesmo de aprender a ler e a escrever o seu nome para poder conhecer os seus direitos e deveres, exigindo que o Estado cumpra a sua tarefa de levar avante a nobre jornada iniciada nas matas de Boé em 1973. Tinha o dom precioso de saber lidar com os números para fazer contas ao seu dinheiro, que ganhava a conta-gotas, e saber geri-lo. Saliente-se que até ao final desta década, dois em cada três postos de trabalho irão exigir alguma formação superior - dois em cada três. E, no entanto, ainda vivemos num país onde muitos guineenses brilhantes e batalhadores não podem conseguir a formação que merecem. Não é justo para eles e certamente também não é inteligente para o nosso futuro.

Sim, vale a pena contar a história de tia Npot.
Ficção? Metáfora? Ou realidade?
Ela ilustra o exemplo da bravura da mulher guineense. Dos sacrifícios que faz para sustentar a família.
Ela contrasta com a história de outras mulheres que não sabem o que é dormir com chuva em casa. E quando estamos a celebrar os 42 anos da independência…
A história desta mulher valente podia ser a sua, a da sua mãe ou de algum parente. Então, faça algo sério e digno para o desenvolvimento da Guiné-Bissau, salvando vidas e tirando da pobreza milhares e milhares de irmãos guineenses. Pense mil vezes antes de colocar os seus interesses pessoais ou partidárias acima dos da nação! A Guiné sempre em primeiro lugar, não se esqueça.
Não fique parado a ver pessoas a passar fome, a morrer de doenças fáceis de curar. Faça algo para que o seu irmão tenha uma boa educação, saúde, emprego, vida condigna, um bom professor. E faça algo pela sua terra natal. Pode até ter tripla nacionalidade, mas nunca deixará de ser um nativo da Guiné-Bissau. Faça algo e faça agora!
Que Deus abençoe a Guiné e que Allah abençoe os guineenses! “

O meu obrigado a quem escreveu este texto, que me faz estar todos os dias na Guiné-Bissau, presente no espirito, na alma, no pensamento (mas estando fisicamente muito longe, distante).



quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Esta é uma crise? Ciclica? Encomendada?... será a ultima até á nova Geração?

Crise na Guiné-Bissau?

Fala-se na crise, ou em crises cíclicas… sim é verdade e comprovadas.
Todas elas, afectaram todo o Povo na tomada de decisões politicas quer na ANP (leis), quer nas decisões dos gabinetes ministeriais e outros, quer a nível económico e social…o Povo continua mártir e refém dos maus políticos.

Esta, a ultima crise de Agosto de 2015, poderei chamar de crise ditatorial? Crise de ciúmes? Crise de incompetência? Crise de soberania (fomentada por países da sub-região)?
Todos estes nomes de crise, se adapta e encaixa na crise actual.

Onde está o mal desta crise?
Como começou esta crise?
Qual o motivo desta crise?
Quem é ou quem são ou seriam os beneficiados com esta crise?

…. Na minha parca opinião, são Todos os protagonistas políticos, uns manobrando na sombra, outros atirados ás “feras”, uns e outros á procura de fama, proveito, riqueza facil; são outros Estados vizinhos…; são outras Organizações externas á Guiné que se movimentam por vezes ás claras, rendilhando e protegendo seus negócios…

O Povo, esse não tem culpa, ou terá? A expressão “guiné sabi” é fruto duma mentalidade demasiado pobre onde o facilitismo impera e origina os males de que a sociedade guieense tem. Esta opinião é discutível, mas é minha, e eu sei porque falo assim.

Voltando, ora vejamos, aquilo que é do conhecimento público:

…No passado, desde militares, políticos, empresários e organizações estranhas ao sistema publico, subverteram o “direito” e direitos do povo criando acções e mecanismos para anular a Lei e Justiça na Guiné-Bissau em seu benefício.

Ouve assassinatos de políticos, de militares e de pessoas com influencia econimica e social que os responsáveis por esses actos quer mandantes, quer mandatados, nunca foram presos, julgados e condenados.

… No passado recente, no Congresso do Paigc em Cacheu, em que cada um dos intervenientes directos nesta crise (mais á frente referenciados), tiveram, fizeram e refizeram alianças e contra-alianças de modo a que posteriormente o PAIGC, viesse a ter hegemonicamente o domínio sobre os três (3) poderes instituídos na Guiné-Bissau. Presidência, ANP e Governo.
Á primeira vista para o partido foi o mais compensador.
Presumia-se que desta forma fosse possível mais fácil governar… e levar o País rumo ao desenvolvimento muito falado e apregoado.
Para o povo e para a democracia é e está a ser o descalabro.

Então o que correu mal?
Sinteticamente, do meu ponto de vista, eis as causas e motivos desta crise:

1º - Mal no Paigc,
“Guerras” dentro do Bureau politico e do Comité Central, onde se desencadearam “lutas” pelo poder com “jogos mesquinhos e maquiavélicos”, invejas e “cascas” de bananas estendidas como tapete… para ocupação ou manutenção dos lugares de topo.

2º - Mal da parte do governo,
Que chegada a “hora” o ex. PM eleito, não soube, não quis ou não pode, demitir os membros do seu governo quando publicamente começou a ser do domínio publico as questões judiciais contra eles invocadas.
Que “chegada” essa “hora” não tivesse solicitado á ANP, o levantamento da imunidade sobre os ditos políticos.
Que dentro do governo a mesquinhez, a inveja e as jogadas maquiavélicas foram mais que evidentes, só e só, para que o erário publico fosse cada vez mais diminuído…
Nota: Conheci o exPM, DSP e daquilo que sei, é que é um apologista das regras, do bom funcionamento das coisas, educado recto e intrego. Qual a razão de não conseguir impor essas características que tem na sua personalidade?
Qual a verdadeira razão de não dar um “murro” na mesa”… mais cedo ou mais tarde se saberá a razão.

3º - Mal da Presidência,
Mal, em demitir o governo eleito, no “prossuposto” democrático e “legal” (e que se veio a verificar a inexistência de tal prossuposto).
Na verdade a principal razão para mim da demissão do governo, prendeu-se só pelo facto do mau nome que o País estava a ter, interno e externamente, pela continuidade de membros do governo com pendentes judiciais...
Mal, que os conselheiros presidenciais influenciaram a maioria das decisões do Presidente, sim, sem duvida levando-o à rota de colisão.
Mal, é público, que a maioria dos conselheiros e funcionários estarem no centro da crise, através dos jogos maquiavélicos, ciúmes e inveja.

Nota: Conheci e conheço a pessoa do nosso Presidente, e sei dizer que é recto, justo, complacente (perante diversas situações) e gosta também de seguir regras e procedimentos, inclusive na CMB… mas não teve tempo de colocar esta instituição no caminho do Bom Funcionamento como era seu desejo expresso.

Por conseguinte, acho que caiu nos erros de aconselhamento, mas que será fácil reverter a situação e encontrar o rumo certo com os outros poderes Constituintes para o futuro inadiável que a Guiné-Bissau tanto precisa, o desenvolvimento sustentável.

4º - Mal da ANP,
Os “jogos dos deputados”
Mal, todos os factores atrás descritos de mesquinhes, invejas, e maquiavelismo, também estão dentro da ANP.
Mal, pela ANP, não ter levantado a imunidade parlamentar a todos os membros governamentais referidos publicamente como corruptos e ladrões. (A justiça livrá-los-ia ou condená-los-ia conforme provas levadas á barra do tribunal)
Nota: Mostrem-me a “obra” ou a Lei aprovada e proposta por qualquer Deputado que seja em benefício da Região pelo qual foi eleito!... Mostrem-me! Se existir tirarei o “chapéu” a esse Deputado.

Soluções Para acabar com as crises…futuras.

1º - Presidência,
- Indigitar o Paigc de formar novamente governo.
- Solicitar ao novo governo (questão de entendimento e boa vontade) para que solicite á ANP o levantamento da imunidade parlamentar a todos os nomes membros dos antigos governos (transição e do DSP) com questões judiciais. (principal motivo da destituição do anterior governo eleito).
- Ter estreita colaboração e reciproca informação sobre os dossiers governativos (sem ingerência)
- Refrear os “ânimos” dos Conselheiros e verificar sempre donde vem as “informações” e a quem elas beneficiarão a médio ou longo prazo.

2º - NOVO GOVERNO,
- Não escolher e propor nome de antigos membros ministeriais, tanto do governo de transição como do governo de DSP rotuláveis com a justiça.
- Não integrar membros governamentais de outros partidos. Os outros partidos foram eleitos para fazer oposição e de certa maneira “fiscalizar” os actos do governo.
- O novo PM, solicitar á ANP, o levantamento de imunidade dos Deputados, quer sejam antigos governantes, quer estejam em instituições internas ou externas nomeados pelos governos.
(só desta forma é que o governo será Credível aos olhos do Povo e aos olhos internacionais)
- Estar permanentemente em contacto com o Presidente da Republica.
- Não ceder às “vontades” da Presidência, desde que não estejam dentro do quadro legal.
- O novo governo desenvolver mecanismos internos anticorrupção.

3º - ANP,
- Levantar a imunidade parlamentar, o mais rápido e simples possível dos Deputados que estejam no governo, Presidência ou outras instituições quer nacionais ou no estrangeiro, logo que o Ministério Publico assim o solicite, ou que o próprio Parlamento verifique minimamente a quebra ou “desvio” do JURAMENTO enquanto Deputado.
- Propor e aprovar Leis Gerais que não beneficie os mais ricos (caso de leis jurídicas).
- Propor e aprovar Leis anticorrupção que no futuro abranja tudo e todos e de todas as formas corruptíveis.
- Propor e aprovar a rectificação da Constituinte (Carta Magna da Republica da Guiné-Bissau), adaptada e coerente com a vivencia de hoje
- …Propor como Lei, que a própria Constituição seja dada como aula obrigatória a partir da 5ª Classe

4º - Ministério Publico,
Simplesmente fazer seu dever e trabalho autonomicamente e sem pressões, com isenção e rigor.

5º - Policia Judiciária,
Simplesmente fazer seu dever e trabalho autonomicamente e sem pressões, com isenção e rigor.

6º - Tribunais,

Simplesmente fazer seu dever e trabalho autonomicamente e sem pressões, com isenção e rigor.

Será que a futura 3ª geração (minimo 60 anos) nascerá em paz, em sossego, em tranquilidade? Será que terá beneficios materiais da riquesa produzida? Será que a mentalidade associada á mitica frase "bissau sabi" terá mudado?

Sorte para o meu Povo guineense.

Regressei...as minhas ideias, as minhas realidades

Começarei a editar tudo quanto sinta que deva ser publicado.
Será quase como que um diário (como os jovens fazem...quando começa a idade da "loucura"), no meu caso será um lançamento para o papel dos meus já velhos ideais.
A água do "tchon" da guiné para os meus olhos na musica que me embala as recordações dos meus 2 anos
... a saudade da vivência, das cores, dos modos, do gosto e sabor nos usos e costumes... do cheiro a pó, a terra vermelha (será que é mesmo cheiro a terra vermelha?). Sei que é só saudade.

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Páscoa de 2014

Pela madrugada de 20/4/13 (Domingo de Páscoa) foi confrontado tristemente com a noticia da "morte" da pessoa mais querida e amiga que tinha da Guiné-Bissau.
Que Deus ou Álá, tenha essa pessoa querida em bom descanso.
Que seu espírito esteja liberto de "pecados" e na sua Fé...descanse em Paz.

Na minha tristeza, lamento não ter feito mais para que ainda estejas de vida.

domingo, 4 de março de 2012

Bissau, terra do sonho

Tenho sede, saudade e direito de recordar minha mininice (2 anos) pelas ruas de Nova Lisboa (actual Canchungo).

Tenho tido sonhos, de como atravassei o rio, dentro da barcaça, apinhada de carros e camions...nesses meus dois anos, misturado talves com a realidade actual, onde as ôstras e o camarão estão presentes.
Que raio de estupidez estou para aqui dizendo? è verdade que poderão pensar isso mesmo. Mas é o que consigo lembrar desses sonhos e dessa realidade.

Recordo da avenida larga, que vai da rotunda, que passava perto do depósito da água, (mesmo na porta onde meu pai fazia o comercio, tambem antigo armazem do povo, actual casa particular), limpa, iluminada, ajardinada ... e segura.

Ai, Canchundo, Canchungo, como te deixei, e como te foi encontrar... abandonada e desesperada, sem identidade e destino visivel. . .

... contarei meus sonhos quando me sentir preparado.